Já estou em clima de Natal...e me sentir invadida por essa leveza, essa magia que só essa época tem, sem neve, sem nada...é maravilhoso. *.*
29.11.09
21.11.09
Moldura
Sabe, aqui em casa tem um quadro de quando eu tinha quinze anos.
Nem lembro se queria uma foto daquele tamanho, mas...fiz umas fotos naquele dia e escolhi aquela.
E, de verdade, depois eu até gostei!
E gostava bastante...até ela resolver me incomodar. Era um dia comum, uma tarde quente de tédio, quando começaram as provocações.
Ela não fala, é verdade, mas tem um olhar que representa toda a Inquisição. E às vezes tem um olhar Gioconda que me mata. Não estou dizendo que seja bonito, até porque a Mona Lisa não é uma mulher (?) bonita, mas é aquele quê de mistério que sufoca, faz querer saber mais, querer saber tanto que irrita e que a maioria das pessoas desiste depois de um acesso de raiva por causa de um longo período de tentativas e incompreensões.
É um mistério tão grande contido naqueles olhos! Mistério maior porque nunca vou saber decifrá-los. Não dá pra decifrar o passado, saber por que as coisas todas aconteceram daquela maneira.
Ela me segue com olhos duros que nada combinam com a blusinha rosa que veste e com a feição meio infantil estampada num quadro de moldura branca.
Paradoxalmente, a feição infantil parece mais Dorian Gray quando chego no quarto. O quadro parece ter envelhecido, como se absorvesse minhas atitudes, acertos e erros.
Pensando bem, ela parece querer sair dali em certas situações. Será impressao? O que ela faria?
E ela me olha com uma afirmação, uma negação e ao mesmo tempo uma pergunta: o que foi que você fez?
Eu nunca vou saber respondê-la, nunca vou saber se ela está satisfeita com o que eu fiz da vida. Será que ela esperava ser assim? Será que queria ser assim? O que era mesmo que eu sonhava aos 15? Não me lembro mais...
Só sei que chuva ou sol ela está sempre ali pra me lembrar que a vida passa mais rápido do que se quer, ainda que em momentos de impaciência o desejo seja de empurrar sozinha o mundo.
O passado é uma porta que foi fechada, mas nunca foi trancada com chave.
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Moi
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10:54
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7.9.09
Você.
E quando a saudade bater, eu vou te chamar.
Quando ela doer, eu prometo te chamar.
E não importa a distância...
Nem o vento contrário,
O sol forte...
Ou a chuva insistente.
Não interessa se há um milhão de pessoas entre a gente,
mil quilômetros,
cem carros,
dez metros...
ou só uma carteira.
Eu te grito...
Em altos decibéis do pensamento sufocado...in-su-por-tá-vel.
EU TE GRITO!
Eu te chamo, eu te sorrio, eu te amo!
E você ouve...e você vem.
Como?
Você imagina, você decifra, adivinha...inventa, mas vem.
Vem devagar, vem rápido, vem pra mim.
E sabe, amor...o mundo poderia ficar pra sempre nos nossos pensamentos e intenções...eu não ligaria.
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Moi
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19:30
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9.7.09
Circo.
Esquadros...não gosto de Matemática.
Às vezes saio pelo mundo divertindo gente, mas no fundo é numa vontade louca de chorar ao telefone.
Vontade de parar de divertir e começar a me divertir.
De ver se em algum sorriso eu encontro um motivo pra sorrir.
Quase como um palhaço...
Eu não gosto de palhaços...nunca gostei. No entanto, me vejo parecida, espelho, castigada.
Numa alegria que parece até beneficente, mas uma alegria egoísta. Uma alegria falsa, cheia de maquiagem, que depende de aplausos. Bobagens ditas! Intenções mascaradas, vontades reprimidas, tédio bem disfarçado!
Porque eu corro mundos pra conseguir, na verdade, só um sorriso.
Aquele seu sorriso...aquele que me apaixona.
E revira o que já não existe aqui dentro e me faz parecida com o palhaço, mas parecida naqueles momentos em que o espetáculo termina e ele olha o rosto de cada criança, seus olhinhos brilhantes e se sente útil por dez segundos. Ele se sente feliz em ser palhaço.
São os dez melhores segundos da minha vida.
=]
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Moi
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09:11
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6.6.09
Coração de papel
Em busca de versos eu navegava pelo mundo.
Construí um barquinho de papel e fui, por oceanos de palavras, me aventurar.
Nesse mundo paralelo, entre o real e o imaginário, tentei seguir pela linha do Equador de um mundo sem continentes.
Às vezes frágil, às vezes forte, minha bússola eram os sentimentos.
Assim, não era difícil que eu ficasse perdida, passasse várias vezes pelo mesmos caminhos ou me demorasse, encantada, em alguns deles.
Pensando bem...não era à toa que a bússola tinha uma agulha...
Minha tinta era a vara de pescar, que ia colhendo as palavras e passando cada impressão pro barco. E o barco, que partiu não sei de onde branquiiinho, ia para lugar desconhecido cada vez mais carregado, cada vez mais transformado, cada vez menos barquinho de papel.
Eu navegava, ávida pelas palavras, por todas as palavras que pudesse colher e usar quando chegasse a algum lugar e não percebi quando ele se tornou barquinho de jornal, escuro, amassado, e as palavras, inquietas, dialogaram e decidiram me expulsar do meu barco. Eu implorei, então, pra que me deixassem ficar ali mais um pouco.
Estou perdida! Preciso de vocês...não conheço nada por aqui!- disse.
Vamos deixá-la ficar, a compaixão chorou baixinho...
Sim!, gritaram a bondade e a alegria num grupo convencido pelo amor.
Nada disso! Ela nos usou! Devemos jogá-la aqui, bem aqui, onde a palavra nada se encontra, riu a maldade.
Eu havia colhido a maldade? Quando? Não me lembrava...
Mas não havia só a maldade...quando me dei conta, o barco estava quase todo em motim, protestando em virtude daquela que fora capitã por tanto tempo, capitã deles, capitã de mim.
Enlouquecida, percebi que na minha ânsia de querer abraçar o mundo, percorrer continentes, conhecer o novo, esqueci que as palavras não eram meras pescarias, mas parte de mim.
Reconhecido o erro, até as mais intransigentes palavras aceitaram o acordo proposto.
Hoje vivemos assim: eu e o barco, o barco e eu...eu, necessitando de condução por mundo afora e elas, as palavras-barco, precisando de mim para dar algum significado pras suas vidas.
Rimos, brigamos, ficamos sem nos falar...elas me maltratam e falham, mas não deixo de pensar nelas por um segundo.
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Moi
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23:09
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5.6.09
De que árvore?
E se eu soubesse o que dizer, eu diria?
E se eu soubesse o que fazer, eu faria?
E se eu soubesse realmente o que e o quanto te deixa feliz, eu deixaria?
Mas...e se eu pudesse, ainda que por um segundo, parar de fingir...
eu pararia?
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Moi
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14.5.09
Inestimável
De
tantos poemas,
tantas frases,
tantas linhas,
tantas coisas que escrevia pra tantos outros...
Pra você vêm tamanhas frases
e de sobremaneira novas,
que "tantas" já não significa muito.
Porque há muito eu já não sabia escrever assim,
de dentro pra fora,
e parecia não haver mais nada muito certo nessa vida.
e então você apareceu e transformou grandes problemas em pequenas bobagens
e o mundo parecia não ser tão mau
e os dias eram curtos pra tanta coisa:
pra dizer...
pra mostrar...
pra sorrir...
e todas as ruas pequenas e o caminho tão rápido!
Quando é que o mundo vai ser grande suficiente pra nós dois?
Acho que só quando ele for do tamanho do seu sorriso.
Outubro/08
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Moi
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22:59
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